Beleza

Um adeus demasiado doloroso

02.13.17
ADEUS…
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Avó, querida avó, peço-te que me segures pela mão, que guies os meus passos, até ao dia em que nos voltaremos a encontrar.

Sempre imaginei, mas nunca senti. Sempre soube que a perda é assustadora, revoltante, incapacitante. Sempre soube que a perda nos faz derramar lágrimas, sempre soube que ela nos faz perder de vista o último raio de luz, que ela nos tira algo de importante e que tudo o que nos dá em troca, é um oceano vazio no qual nadamos sem destino. Sempre soube, pois sempre vi, desde familiares a amigos, dos quais a perda tudo levou. No entanto, eu, sentir, nunca tinha sentido, até que, por uma infeliz ideia, a vida lembrou-se de que era hora de me fazer sentir, de me fazer viver, de me fazer acordar no meu próprio pesadelo. Esperar já eu esperava, no entanto, a verdade nua e crua, desabou sem me perguntar se eu estava preparada para vagar sobre a luz da escuridão que em mim despertou.

Sabes que sempre gostei de ti, eu sei que sempre gostaste de mim. Por vezes brigávamos, ou renhíamos, como assim gostavas de dizer, mas tudo se resolvia com um abraço apertado. Costumavas dar-me conselhos e acrescentar no fim: “dito pelos médicos”. Não perdias um episódio da tua novela favorita,  na qual era sempre a tua melhor companhia. Sempre me mimaste, talvez até demasiado, desde que me lembro de ouvir-te a chamar o meu nome. Cresci junto a ti, aprendi contigo, ensinei-te algumas coisas. Foste, e ainda és, uma segunda mãe. Deste-me tudo aquilo que quis, tudo aquilo que podia desejar. Deste-me o que podias, e muito mais. Deste-me amor eterno, deste-me colo, deste-me apoio incondicional, deste-me memórias que em mim ficaram gravadas.

Aos dezasseis anos deixaste-me voar. O meu egoísmo foi demasiado para pensar, que talvez, não estivesses pronta para ficar sozinha, que talvez, dezasseis anos de história não foram suficientes.  Mesmo estando longe, os laços não se abalaram. Sempre senti saudade, sempre desejei te abraçar, sempre ansiei pelo teu colo. Infelizmente decidiste dizer-me adeus, decidiste sem mais nem menos, abandonar um mundo, no qual não estou preparada para avançar sem ti a meu lado. Sempre me disseste que querias ver-me casar, que querias conhecer os teus bisnetos. Peço desculpa avó, peço desculpa, mas não cheguei a tempo. Peço desculpa, por não realizar, aquele que era o teu maior desejo. Peço desculpa por estar longe, por não ter segurado a tua mão quando decidiste partir, quando deixaste a paz te embalar. Peço desculpa por não comparecer à tua despedida, àquela que seria a passagem entre o sofrimento e o descanso.

Sei que estás bem, sei que estás a olhar por mim, sei e sei muito bem que nunca me abandonarias. Sei que deste o teu melhor por mim, que me deste tudo aquilo que nunca pudeste ter. Sei que somos cúmplices e que isso, não mudará. Mesmo assim, não me sinto preparada a deixar-te ir, a deixar-te partir desta forma, tão dura, tão cruel. Mas sinto-me obrigada a aceitar a tua partida, sinto-me obrigada a deixar-te encontrar o caminho que a tua alma escolheu. Partiste demasiado cedo, sem nada me dizer. Vou relembrar o dia 7 de fevereiro de 2017, com muita dor, e o dia 14 de fevereiro com alegria, por ser o dia em que nasceste, o dia em que vieste a este mundo para em algum momento me encontrar. Dou-te hoje os parabéns, pois amanhã terias completado 84 anos. Parabéns avó, não te esqueças, que tens um cantinho enorme no meu coração!

DSC_0716 Ps. Infelizmente, como já perceberam, a minha avó faleceu na passada terça-feira, e esse é um dos motivos pelo qual tenho andado mais desaparecida dos vossos blogs do que de costume. Obrigada pela compreensão, um beijinho enorme e até à próxima <3

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15 comments on “Um adeus demasiado doloroso”

  1. Acho que nestes momentos nunca se sabe muito bem o que dizer mais do que “lamento a tua perda” mas também sei que, apesar do carinho transmitido, nunca nos confortam por completo as palavras dos outros. Há 1 ano atrás, estava na tua posição e sei bem o que custa, ainda hoje custa. Só te posso dizer que de certa forma o tempo cura mas, no entanto, deixa saudade e essa nunca é levada. A parte boa são as memórias que ficam, essas ninguém nos tira!

    Força <3
    beijinhos

  2. Confesso que não sei o que te dizer mais, senão que anseio o dia em que possamos ver-nos e que eu possa dar-te o maior abraço. Tal como sempre te disse, nada acontece por acaso e não foi por acaso que aparecemos na vida um do outro. Tenho a firma certeza de que isto está a ser, tão somente, o início de uma amizade enorme. Pelo menos sei que lutaremos, em uníssono, por isso <3

    Estou com o coração tão, mas tão apertado que nem imaginas. Não sei o que é sentir isso, mas sei que não há nada que te possa confortar mais. Lembra-te sempre que a tua avó estará sempre por perto e que, esteja onde estiver, estará a olhar por ti… por uma menina de ouro, repleta de valores.
    Oh Sara, enches-nos tanto o coração <3

    NEW PERSONAL POST | Happy 4th BLOGIVERSARY, Pieces Of Me <3
    InstagramFacebook Oficial PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me 😀

  3. Primeiramente, os meus mais sinceros sentimentos Sara.
    Sei o quão difícil é perder uma parte tão grande de nós. Infelizmente já perdi dois avós e foi das dores mais duras que já senti.
    O que escreveste para a tua avó está lindo e tenho a certeza que, esteja ela onde estiver, está orgulhosa da neta que tem.
    Beijinhos e força!
    Kiss, Mariana Dezolt
    Messy Hair, Don’t Care

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